Sonntag, 9. Januar 2011

Gente boa

Muita gente concorda que esses e mails corrente que circulam por aí com mensagem pps em anexo são um saco. Pouca gente ainda se dá ao trabalho de abrir essas mensagens, mas uma vez ou outra, convencidas pelo título da mensagem ou pela pessoa que a enviou, assim como muita gente, eu acabo abrindo algumas delas. Um tema bem popular entre esses powerpoints, é a indignação que alguns sentem com o Brasil e a admiração pelos países Europeus, onde segundo essas mensagens as coisas são sempre as mil maravilhas.

Apesar de amar tanto o Brasil quanto a Alemanha, procuro enxergar os dois países com olhos bem críticos. Na minha opinião nem um nem o outro é perfeito, mas dependendo de  certos valores pessoais e visão de mundo de cada um, a vida pode ser mais fácil aqui ou lá. O brasileiro, principalmente aquele que é certinho e cumpre seus deveres sociais, se sente frustrado com a falta de eficiência e transparência com as quais as coisas às vezes rolam no Brasil. Os que tem a chance de vir à Europa acabam se apaixonando. E parece que quanto menor a permanência maior a paixão, porque como turista, raramente dá tempo de ver além da perfeição das estradas, da pontualidade, das ruas limpas, das pessoas falando baixinho, da sensação de estar seguro na ruas onde não se vê criança pedindo nem ninguém sendo assaltado. No entanto, sou bastante cautelosa quanto a essas mensagens que deixam uma sugestão no ar de que a Europa está cheia de gente boa e civilizada e que o povo brasileiro é um bando de mau educado, mau intencionado e aproveitador.

Eu acho que o mundo está cheio de gente boa e gente ruim e essa distribuição obedece a um critério diferente que o simplesmente geográfico. Para mim gente boa ou gente ruim é mais uma questão de circunstância. Ser gente boa ou gente ruim depende da situação e não da nacionalidade. 
Tem um monte de brasileiro que não aguenta mais o Brasil, assim com tem um monte de alemão que não suporta a Alemanha. Conheço um monte que assim que pode, se mandou daqui e nem de férias quer voltar. Se existisse essa coisa de país perfeito ou gente boa, ninguém ia querer ir embora dessa terra de faz-de-conta e o resto do mundo, com certeza ia querer se juntar a eles.  

Esses conceitos de país perfeito e gente boa, se é que que isso existe, são relativos às necessidades de cada um. Pra quem tem de contar constantemente com o risco de ser assaltado, perfeito é andar na rua sem ter medo. Pra quem vive cercado de placas e regras, perfeito é poder agir com flexibilidade e espontaneidade.

Faz um certo tempo que uma amiga me mandou um desses e mails com uma mensagem de powerpoint em anexo, no quais maravilhas eram ditas sobre a Alemanha e onde se subtendia um certo desgosto pelo brasileiro. Neste mesmo e mail, minha amiga deixou bem claro que entendia que as coisas não são tão preto no branco assim e sugeriu uma brincadeira de verdadeiro ou falso. Resolvi aceitar a brincadeira como forma de oferecer minha contribuição na interminável tarefa de desconstruir esse esteresótipo de gente civilizada européia versus os mau educados dos trópicos. Aguardem os próximos posts...  

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