Montag, 2. Januar 2012

Racismo

Hoje cliquei num link de uma estória compartilhada por um amigo no Facebook e depois de ler o texto fiquei bem pensativa. Desde que comecei esse blog, já iniciei pelo menos uns 5 textos abordando o nebuloso tema do racismo, mas nunca tinha conseguido concluir nenhum. Fiquei pensando por que será que é tão difícil pra mim escrever sobre esse tema. Bem, acho que o principal motivo é mesmo porque esse assunto é muito complexo, tão complexo que não me sinto capaz de discutir isso em um só post e segundo porque é um tema que me toca de forma muito pessoal e sendo assim, acho que nem conseguiria escrever algo que fizesse sentido pra quem não teve as mesmas experiências que eu já tive com esse tema.

Nos últimos meses, parece que o racismo anda me seguindo. Nos jornais, nos blogs que eu leio, na escola e até nos textos do mestrado sempre me deparo com alguma coisa que aborda essa praga. Parece até provocação, uma espécie de conspiração pra eu tomar coragem e dizer o que eu penso sobre esse assunto, nem que para isso eu precise de muitos posts e muita paciência. Aceito o desafio, então vamos lá!

Infelizmente já fui vítima de racismo tanto no Brasil quanto aqui na Alemanha e acho que nesses dois países as situações e as vítimas variam, mas ele existe e se manisfesta de forma parecida. Sei que muita gente vai discordar, (e acho bom, assim a gente discute e cresce com a discussão) mas eu explico. Uma situação como a que foi descrita no blog de Luis Nassif a que me referi acima, dificilmente aconteceria aqui. Aqui cliente é cliente e enquanto ele se comportar de forma condizente às regras do local, poderá permanecer ali independentemente do que estiver vestindo ou da cor de sua pele. 

Essa estórias que a gente cansa de ouvir do Brasil que um afro descendente entra em uma loja e nenhuma pessoa vem atender enquanto dez vendedoras circulam em volta de uma pessoa branca, não tem como acontecer aqui. As lojas e os vendedores são bem treinados pra só fazer distinção entre as cores das cédulas de euros.  Até mesmo porque, aqui as pessoas entendem que coisas como cor da pele ou como se está vestido no momento, não necessariamente reflete quanto dinheiro a pessoa tem a disposição pra gastar naquela determinada situação. As pessoas responsáveis por atendimento, podem até ser racistas, mas no geral no horário de trabalho, elas guardam esse tipo de pensamento pra elas mesmas e se comportam de forma profissional. O que eu já considero um grande favor à sociedade.

No Brasil a vitima mas frequente do racismo é sem dúvida nenhuma o afro descendente, aqui é o estrangeiro. A cor da pele em si não serve como um fator imediato de discriminação e sim a origem. Tem países que são adorados e outros que frequentemente são associados ao que não presta. Turcos, árabes, boa parte dos africanos e dos europeus do leste passam pelos mesmas situações desagradáveis que os afro descendentes no Brasil. O brasileiro aqui faz parte do grupo dos adorados. Mal sabem eles que essa adoração pode ser prejudicial também. Mas isso são cenas do próximo capítulo.

Essas são as diferenças que eu observo. No entanto, tanto no Brasil como aqui na Alemanha eu percebo que as pessoas no geral se envergonham do racismo. Tanto do seu próprio como do dos outros. Nesses dois países existe a tentativa de livrar a sociedade desse equívoco cultural. Se percebe um esforço social e pessoal de ser politicamente correto, de ser aberto e democrático e tanto lá quanto aqui existem leis anti racismo. No entanto esse fenômeno é tão velho quanto o mundo e por algum motivo o ser humano sente necessidade de distinguir, separar, classificar. A gente faz isso com tudo e inevitavelmente também com pessoas. Por isso, o fato de existir o desejo de muitas pessoas de acabar com o racismo, não significa que ele de fato está acabando. Por isso muitos alemães e brasileiros de coração bom e muito bem intencionados de vez em quando falam coisas tipo “ele é turco mas é muito bem educado”, “ela é negra mas é linda”, “Eu não sou racista, eu tenho um monte de amigo negro”, “um grande amigo meu é estrangeiro”. Só sente necessidade de dar esse tipo de esclarecimento, quem tem umas idéias meio contraditórias na cabeça. Infelizmente essas formas sutis de discriminar são mais presentes em nossa sociedade do que a gente se dá ao trabalho de perceber. 

Felizmente existe um remédio contra isso. Em primeiro lugar, parar de negar que o problema existe. Racismo existe sim, em toda parte do globo, e é um bicho feio, ilógico e destrutivo. O segundo passo é decidir o que fazer para combater esse mal. Na minha opinião, o que cada um de nós pode fazer é na verdade muito simples: procurar constantemente se informar e exercitar a auto-reflexão. Associado a isso, procurar dar uma limpada no vocabulário também. Antes que meus conterrâneos se chateiem comigo, não estou me referindo às manifestações de carinho que fazem parte, por exemplo, da baianidade, tipo quando alguém diz “ô nega, me faça um favor”, mesmo quando a pessoa pra quem se pediu o favor é loura de olhos azuis, mas a essas retratações de discurso que a gente já tem no automático, tipo “eu não tenho nada contra negro, estrangeiro, pobre, etc, mas...” Tá entendendo o que eu quero dizer? Se não tem nada contra, pra que a nota de esclarecimento antes do discurso?

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