Freitag, 22. Juni 2012

Televisão

De vez em quando eu chego em casa com vontade de assistir uma coisa leve na televisão. Sabe aquele momento no final do dia, quando a gente quer só se distrair e ver alguma coisa interessante, que não exija muita concentração? O mal é que percebi que aqui no Brasil isso não rola. Tenho a sensação de já ter emburrecido significativamente só por ter me permitido sentar por 10 minutos vez ou outra em frente à telinha aqui no Brasil. 

Sem brincadeira: estou chocada com o nível da nossa televisão. Sempre soube que ela não prestava e por isso nunca fui de assistir muito. Era sempre um ou outro programa escolhido que me prendia na frente da tela. Mas como sempre menciono aqui no blog, depois de passar algum tempo fora, quando a gente retorna, acaba lançando um olhar diferente sobre coisas que antes a gente enxergava de forma mais automatizada. E desta vez estou assustada com o que a mídia brasileira acha que a gente quer ver. São diversos programas destinados a fazer caricaturas grotescas da miséria e violência, um festival de novelas pouco criativas, que repetem a mesma fórmula desde que o mundo é mundo e um sem-fim de apresentadores sorridentes e animadinhos que parecem ter encontrado o elixir da vida eterna, porque enquanto todo mundo envelhece normalmente, eles permanecem com a mesma cara por décadas.

E as propagandas descaradas que as emissoras fazem pra promover a própria programação? Isso é uma das coisas que mais me irritam. Só essa semana, de relance, eu contei duas verdadeiras superproduções televisivas que nada mais eram do que promoções descaradas dos próprios produtos: a rede Record e seu espetáculo ridículo em torno de um ônibus (estou até agora sem acreditar nisso...) e a rede Globo com uma pseudo reportagem sobre Ilhéus e Jorge Amado que no fundo era só mesmo um de pano de fundo pra dizer "olha, assistam Gabriela na segunda-feira". Aí vem personagens dentro da novela, que do nada começam a falar de um produto X. Quando não é isso, o tal produto X está bem visível em cima da mesa. Nossa televisão não dá trégua ao telespectador. Quer vender lixo a todo instante. Constrangedor e irritante. 
Mas pensando bem, acho que isso não é só aqui não. Me lembro que na Alemanha eu também achava os programas de um baixo nível incrível. Pra vocês terem uma idéia, foi assistindo televisão na Alemanha que aprendi a expressão "sich fremdschämen", que significa algo como sentir vergonha pelos outros ou do constangimento do outros, tudo por  causa de um infame "reality show" no qual um fazendeiro procura uma mulher com quem casar. A única diferença é que lá se você estiver determinado a assistir uma coisa boa na TV e trocar de canal por um número suficiente de vezes, tentar horários diferentes, etc (ou seja, se isso for sua missão)  vai acabar encontrando algum programa que vale a pena ser assistido. Na pior das hipóteses, tem os telejornais que na maioria dos casos, são muito bons. E as emissoras são menos agressivas com as propagandas. Achar um programa de qualidade na TV aberta aqui no Brasil é quase missão impossível mesmo. 
Aí eu fico pensando nas alternativas: tem a TV fechada, mas na minha opinião, só oferece um maior número de canais pelos quais se pode passar batido porque na maior parte do tempo também não tem nada que preste sendo exibido. Ou seja, a gente paga pra ter acesso a um número mais elevado de porcaria. A outra alternativa é apertar o botãozinho vermelho do controle remoto e se abster disso tudo. Essa opção é a mais simples. Não gosta, não consuma. Mas será que é tão simples assim mesmo? Enquanto uma meia dúzia abre mão do direito de exigir outro tipo de programação e de tentar estimular algum tipo de mudança que possa um dia resultar em programas de qualidade na tv, a grande maioria continua mesmo é vendo, gostando, achando graça e o que é pior: construindo seu sistema de crenças e moldando sua moral baseado nesse mundinho patético, limitante e limitado. Cenário deprimente e desesperador. Mas não vou chorar não. Ou será que isso aumentaria meu ibope?

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