Mittwoch, 24. Juli 2013

Do jeito que se veio ao mundo – parte 2



Hoje estava em casa de bobeira quando recebo uma mensagem de uma amiga: "Oi Cris, tô indo na praia depois do trabalho. Quer ir comigo? A praia é FKK, tá?" Pra quem não sabe, FKK é a abreviação de Freikörperkultur que traduzindo quer dizer Cultura do corpo livre ou naturismo.



Minha amiga se sentiu na obrigação de me explicar que tipo de praia seria, porque me conhece bem e sabe que apesar de não ser a pessoa mais pudica do universo, essa coisa de tirar a roupa por aí também não é exatamente minha cara. Amigo bom é assim: sabe exatamente que tipo de situação te limita e sabe como te ajudar a superar, então minha perceptiva amiga vai e me escreve que a gente podia ir pra praia normal, de biquini e sem essa pouca vergonha alemã.



Mas como minha personalidade anda fraquinha e como eu virei a maior vítima de minha própria filosofia de vida "quem tem amigo não se governa",  já comecei a ter pensamentos nudistas no meio do caminho. A sugestão portanto, veio rapidamente "vamos na praia nudista e você fica com a parte de baixo do biquini". Beleza, a pessoa está meio pelada ou meio vestida, tudo é uma questão de ponto de vista. 

 

Chegamos na praia, minha amiga já muito mais à vontade no ambiente do que eu, foi logo se despindo. Eu tirei a parte de cima e deitei rapidinho. De costas. E olhei ao redor pra perceber a reação geral. Nenhuma. Ok... Não sei o que eu estava esperando. Talvéz olhares de surpresa, recriminacão, tarados, sei lá, enfim, essas coisas que colocam nas nossas cabeças e com as quais a gente se acostuma por falta de opção quando se cresce em uma cultura muito machista que ensina os homens a se comportarem como predadores de mulheres e que ensina a gente a ter medo e vergonha do próprio corpo. Sei lá o que foi, só sei que minha amiga, foi logo entrar na água enquanto eu resolvi ficar um tempinho deitada na grama pra sondar o ambiente.



E o ambiente não poderia ter sido mais relaxado. Todo mundo peladão mais cada um curtindo a própria onda. Uns liam, tomavam cerveja, fumavam seus cigarros (ai que perigo!), conversavam com suas companhias, comiam, enfim... tudo como em uma praia normal, com a diferença que ninguém usava nada além de por vezes os óculos de sol. Outra coisa que percebi que faltava eram os olhares penetrantes e demasiados pra quem quer que seja. Resolvi entrar na onda e fui tirando tudo. Inclusive os óculos.



O lado bom da miopia é essse: tira-se os óculos e já não se pode enxergar direito o que se passa ao redor. Por mais que minha filosofia de tirar os óculos e fingir que o que eu não vejo não me vê, seja meio estranha, naquele contexto ela foi perfeita pra eu poder aproveitar o sol de corpo inteiro, sem me preocupar se haviam olhares, conhecidos, sei lá. Nadar sem roupa então, foi um sucesso! Se eu tivesse feito minha pesquisa antes de ir lá, já teria chegado tranquila porque saberia que na verdade o movimento FKK não vem de hoje e sua filosofia prega exatamente isso: a possibilidade de curtir e se integrar de forma mais natural possível com a natureza, sem se envergonhar do próprio corpo, mas sem ser necessário sexualizar a experiência também.



Ao descobrir isso comecei a perceber que essa estória de nudismo fazia cada vez mais sentido. Ainda não posso me dizer naturista de carteirinha, nem vou queimar todos os meus biquinis ainda, mas se o tempo continuar assim, não excluo a possibilidade de voltar lá outras vezes. Com óculos e sem roupa, é claro.



P.S. Em praia naturista não é permitido tirar foto. Então esse post fica sem imagem mesmo...


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